Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

Carta de marear

341_3_07b.jpg

chego ao fim do dia
chego ao fim de uma demanda
chego ao fim de mim

chego só, nua de vaidades
chego comigo, vazia de artifícios
chego em espera, prenhe de sonhos

chego partida de um cais que já foi meu
chego despida de jóias, chego coberta de conchas
chego afugentada de cores ruidosas
chego sedenta de silêncio luminoso

chego ao fim do dia
chego a um porto
deito suavemente o corpo cansado
deixo-me embalar pelo silêncio dos vossos barcos
os olhos, esses fecho-os
para ver melhor o brilho da lua.

posso passar a noite?
publicado por floreca às 19:34
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6 comentários:
De marlia a 6 de Maio de 2004 às 23:38
podes. tenho a porta aberta. podes dormir aqui. e poesia contemporânea não quer rima ou então leva a rima a um excesso explosivo, não quer métrica por ser solta, verso livre, estados de alma que parecem saídos sem pensar muito no assunto. quando de facto é um assunto que já borbulhou milhares de segundos dentro do peito do poeta. lindos, os teus versos livres. um beijinho *


De Tim BOra a 6 de Maio de 2004 às 21:47
Cheguei... li, gostei, parto...(dificil de comentar)


De DonBadalo a 6 de Maio de 2004 às 21:39


sinto-me um tanto ou quanto clandestino para poder ter o prazer de te ler!

calo-me para melhor poderes desfrutar o silêncio!...


De almar a 6 de Maio de 2004 às 21:17
Uma chegada a um local onde se deseja permanecer, durante um tempo pelo menos... Local agradável, à luz da lua. Quem não quereria chegar, sem enfeites nem bagagem, a um local assim? Bjs


De Lolita a 6 de Maio de 2004 às 20:33
A forma apenas serve as ideias, os "sentires". E vais-me desculpar, mas apesar das vidas cinzentas dos meus mestres Pessoa e MS Carneiro, quem me dera um pedacinho do seu arco iris quando pegavam na caneta. Obrigada pelas tuas visitas. Beijos :-)


De LetrasAoAcaso a 6 de Maio de 2004 às 20:26
E é poesia.
Há ainda a ideia errada que esta tem de obedecer à métrica, à rima e outras patacoadas.

Se seguirmos esses parâmetros estamos a estrangular o acto de criar.

As fórmulas escritas são sobretudo a liberdade que a imaginação e o sonho nos conferem.

Por isso, ou são boas ou não.
Tomamos como referências, ou fazem-nos tomar, Pessoa, Mário de Sá Carneiro, etc.

Da mesma forma Kant, Plutarco e outros servem-nos de guias. Porquê?
Não temos as nossas próprias sensibilidades?
Não pensamos?
Não criamos?

Respeito o trabalho de todos eles. Mas apenas isso. Não os considero melhores do que eu ou tu.
Apenas diferente.

Gostei do teu POEMA. E à falta de melhor sublinhei-o com letra maiúscula.

Bjs


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