Quarta-feira, 12 de Maio de 2004

Carta nunca enviada

Comecei a pensar em nós e confrange-me olhar para o que é hoje a nossa relação: rotina, previsibilidade, imaginação nenhuma. Se te parece uma análise fria da situação é porque é mesmo uma análise fria. E por isso é feita por escrito, longe de ti. Ao pé de ti o amor fala mais alto. A vontade de te abraçar, de te dar tudo o que quiseres é mais forte. O medo do teu silêncio é talvez ainda mais forte.
Não te estou a acusar de nada. Se eu me sinto frustrada, triste, cansada desta situação é problema meu. Por isso mesmo, estou a tentar fazer alguma coisa. Mas tenho que contar com a tua vontade e , sinceramente, não sei qual é. Esbarro com um silêncio que pode ter todas as interpretações. Se tu soubesses as ideias malucas que me passam pela cabeça e que não concretizo com medo de ouvir:”Não, é impossível!” ou, pior ainda, de não ouvir nada!
Não sei se vale a pena dizer-te mais alguma coisa. Tu vais ler isto ao pé de mim. Já chega de cartas! Vais dar-me alguma resposta ou nenhuma. E aí eu saberei certamente o que fazer, guiada não pelo instinto mas pela cabeça. Realmente, eu não preciso de um “casamento” no pior sentido da palavra. Eu preciso de encanto, de imprevisto, de atenção, de muita imaginação. A que tu costumavas ter… Talvez não imagines o quanto essa necessidade me torna vulnerável. Não quero fazer nenhuma asneira de que me arrependa logo a seguir. Quero pôr na minha vida o que mereço, com homens ou sem homens. Já não sou uma criança e tenho que transformar a minha vida em algo que valha a pena. Contigo, de preferência. Sem ti, se tiver que ser.
Seja o que for, bom ou mau, diz alguma coisa. Eu estou à espera. E, embora neste momento penses que não, eu amo-te.


(carta encontrada no fundo duma mala datada de 11 de Outubro de 1992)
publicado por floreca às 14:52
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7 comentários:
De almar a 13 de Maio de 2004 às 16:32
Marta, obrigada pelas tuas palavras. Há momentos na vida em que precisamos clarificar as coisas. Mas as decisões devem ser tomadas por cada um até porque estas cartas, como imaginas, são em parte ficção. Beijinhos


De MARTA TEIXEIRA a 13 de Maio de 2004 às 11:06
Carta Linda!! Realmente há cartas que escrevemos, na nossa imaginação, porque muitas vezes temos medo de as enviar.
Contudo, esta carta expressa tudo aquilo que deve existir numa relação de amor e já que a outra não ouve (porque há pessoas que não sabem escutar os outros), o melhor é realmente escrever. Talvez assim consiga captar a atenção que precisa.
Também eu preciso de escrever uma carta a uma determinada pessoa e ao ler isto, vou ter coragem de o fazer.
Obrigada
Marta


De atuaLolita a 12 de Maio de 2004 às 21:33
eu sei o que é o xiça penico. é a forma de não termos palavras para dizer o que significa um suspiro forte.


De almar a 12 de Maio de 2004 às 20:59
Lolita, a realidade e a ficção andam de mãos dadas. Tu sabes isso. Parte é nosso, parte não é, pode ser de outras pessoas...


De almar a 12 de Maio de 2004 às 20:57
Xiça penico... oh mimosa explica lá isso! Esse é um comentário interessante e até devo dizer que é muito expressivo mas... ainda assim gostava que fosses mais explícito.


De atauLolita a 12 de Maio de 2004 às 17:30
Uma carta cheia de coragem. (os teus destinatários são tão reais que até dói!!!)

Beijos


De mimosa a 12 de Maio de 2004 às 16:46
Xiça penico!


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