Quinta-feira, 13 de Maio de 2004

A propósito de mães...

(Carta verdadeira, escrita por uma filha de 15 anos à sua mãe)


Lisboa, 05 de Maio de 2002.


Hoje é dia da mãe, mas nem a todas as mulheres que deram à luz podemos atribuir este nome, de significado tão especial.

Só aquelas que tanto se sacrificam pelos filhos. Muitas vezes, estes nunca chegam a reconhecer esse esforço.
Só aquelas que amam os filhos mais do que a própria vida, que morriam por eles se assim fosse necessário.
Só aquelas que ao fim do dia, cansadas do trabalho, cansadas de lutar por uma vida melhor, chegam a casa ainda com paciência para ouvir reclamações, respostas tortas, más notas..
Tantas vezes exaustas de tudo e de todos, o dia parece ter 48 horas em vez de 24, mas o amor está sempre lá, no coração cabe sempre mais uma lágrima do filho, há sempre paciência para mais um conselho, mais uma recomendação que tantas vezes são mal interpretados.

A verdadeira mãe é aquela cujo amor não tem limites, não tem fronteiras, vai onde é preciso pelo filho que tanto ama.
A verdadeira mãe é aquela onde nos podemos refugiar nas horas de maior amargura e tristeza, às vezes nem o fazemos, esquecemo-nos de que haverá para sempre lugar no coração dela.
A verdadeira mãe é aquela que tantas vezes engole “sapos” e nada diz, limita-se a amar-nos sempre da mesma forma.
A verdadeira mãe é aquela que gosta nós pelo que somos, pretos ou brancos, saudáveis ou não, alegres ou tristes.

A mãe é onde encontramos resposta para tudo, é o verdadeiro ser que se esquece de si, dá-nos lugar onde quer esteja, interrompe tudo o que faz por nossa causa.

A mãe, aquela que acorda de noite preocupada, vai ao nosso quarto, ajeita-nos a roupa da cama, podemos resmungar e mandá-la embora, ela ainda sorri com ternura e dá-nos um beijo na testa desejando continuação de boa noite.

A mãe traduz-se em amor, luz que nos guiará para sempre.

É por isso, mãe, que este dia é teu, ninguém neste mundo merece mais do que tu este título.

Desculpa se tantas vezes fui injusta contigo, estiveste e estarás sempre pronta para me ajudar, reconheço isso. Desculpa mãe, por não ter retribuído o teu amor quando devia, acredita, amo-te muito.

Eterna cúmplice e amiga, “galinha” preocupada, “onde estará a minha pintainha, será que está bem, deixa-me cá manda-lhe uma mensagem”, não é isso que pensas tantas vezes? “Sim, mãe, estou bem”, respostas tão secas, porque é que não aproveito para acrescentar um “amo-te” ou “gosto muito de ti”, não me dou conta do quanto és importante para mim, os dias passam e continuas a amar-me como sempre, nem dou por isso; andamos tão preocupados com coisas banais nem damos uns pelos outros, não é?

Não, não é, há sempre alguém que dá conta de tudo, sempre atenta a todos os olhares, a todos os passos, a todos os gestos, cada palavra é importante, um sorriso vale por mil. Quem será essa pessoa que tanto me ama, sem nunca, mas nunca ter vacilado?

És tu, MÃE, claro.
Quem mais poderia ser?

Não te dou os parabéns, que palavra mais usada para ti, mereces mais, muito mais, o céu, o infinito e tudo de bom que lá houver.

Um grande beijo,

Mariana
publicado por floreca às 13:30
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4 comentários:
De Priapo a 13 de Maio de 2004 às 19:50



É uma pessoa privilegiada, de facto, quem recebe um reconhecimento tão ternurento de uma filha.

Seja mãe, ou seja pai!

Até porque nenhum adolescente faz destes elogios se eles foram imerecidos...





De kioko a 13 de Maio de 2004 às 17:23
Realmente, não há muitos filhos(as) capazes de manter este diálogo com as mães/pais. Perdemos isso, por muitas razões. No entanto, e falo só por mim: a minha mãe ainda é uma das minhas melhores amigas. Sei que posso contar com ela em todos os momentos da minha vida. Já tivemos momentos MUITO conturbados na nossa relação. Tivemos, mas superamos sempre. Por isso, quero ser uma das melhores amiga das minhas filhas, quando elas tiverem 40! É uma das minhas mais fortes apostas na vida.


De almar a 13 de Maio de 2004 às 16:57
Não é lindo quando eles(as) ainda dizem coisas destas? Depois sentem-nas, abraçam-nos mas raramente falam. Nós fomos iguais. Um belo momento de ternura. Beijo


De atuaLolita a 13 de Maio de 2004 às 14:20
Aos 15 anos, de vez em quando os filhos têm uns "vaipes" de ternura. E vai-se a ver e amam mesmo as mães. Um grande sorriso ao ler esta carta. Beijos.


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