Domingo, 29 de Agosto de 2004

Carta a um passado errado

Por vezes ponho-me a pensar no que faria, se pudesse andar com o tempo para trás e mudar o passado.
Algumas coisas mudaria, certamente. Umas mais importantes, outras menos.
Mas, globalmente, faria tudo de novo. Mesmo onde errei, só o poderia saber pela experiência.

Agora, olho para o passado e vejo uma vida que eu não aproveitei.
Por não querer ou por não saber... ou por nem me aperceber, na altura.

Abdiquei dos meus sonhos para viver os sonhos de outra pessoa.
Não aproveitei o que de bom havia em mim.
Acho que nem me apercebi que tinha qualidades!
Deixei-me levar por caminhos que não eram os meus...

Um dia olhei à minha volta e vi que estava no conto errado.
A partir daí comecei eu a escrever a estória à minha medida.
E foi aí que eu percebi que tinha deixado a vida passar-me ao lado...


A olhar o passado descobri que não são os sonhos dos outros que nos fazem felizes... são os nossos, que temos de sonhar...
E nunca abdicar deles.


Miklos

publicado por floreca às 02:33
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15 comentários:
De Opinioes a 3 de Setembro de 2004 às 09:31
Hey,
Acorda depressa, olha para a frente e nao percas tempo a lamentar o tempo perdido, pois ja nada podes fazer para o recuperar.
Bora dai a sonhar e a realizar os teus proprios sonhos, porque finalmente te apercebeste o que e' viver e ainda tens a vida pela frente.
;-)


De veneno a 2 de Setembro de 2004 às 19:03
Já foi, já era. Aprendemos por ensaio e erro, por indução, por dedução. Cair para logo levantar será a solução. Arrependimento? Para quê? Porquê? Era uma vez... outra estória se seguirá. Beijo com veneno. :)


De floreca a 1 de Setembro de 2004 às 08:48
Carla, os sonhos não precisam de ser iguais. Apenas é preciso dar espaço para os dois poderem existir juntos...


De floreca a 1 de Setembro de 2004 às 08:46
Marta, sofre-se sempre quando descobrimos que estamos no caminho errado, depois de tanto tempo! Bom dia:-)


De floreca a 1 de Setembro de 2004 às 08:45
João Norte, é essa a realidade de muita gente... Um bom dia para ti:-)


De Carla a 1 de Setembro de 2004 às 03:33
Exacto... são os nossos sonhos que movem a nossa vida.. e por vezes cruzam-se com um sonho igual e aí sim... podemos sonhar a dois. Beijo grande, está um pensamento muito bonito.


De MARTA TEIXEIRA a 30 de Agosto de 2004 às 14:04
Lindo! É isso - eu aprendi isso e sofri bastante durante o processo.
As melhores histórias são as que nós escrevemos!!
Obrigada. Gostei muito.
Beijinhos
Marta

P.S.: Já estou de volta. Tive muitas saudades vossas.


De Joo Norte a 30 de Agosto de 2004 às 11:40
Acontece com todos. Procuramos ser felizes na companhia de alguém, abdicamos dos nossos sonhos pela companhia que parece fazer essa felicidade, e quando descobrimos que não é assim o tempo passou.


De floreca a 30 de Agosto de 2004 às 02:19
Fiquei sem palavras, Jo, depois de ler tudo de um folêgo só...


De Jo a 30 de Agosto de 2004 às 01:39
Acabo de ler “vim parar em terra de ninguém”…
É assim a grande maioria das vezes que me sinto estrangeira em terra de ninguém, com passado longe e presente meio nublado. Não porque me sinta mal, não é isso, é uma ansiedade que por alturas do dia, se manifesta em crescendo, denotando-se uma ligeira irritação não catalogada. É como se não pertencesse a lado nenhum, quase obrigada pela forças das circunstâncias a abandonar o berço.
De fraldas andei por aqui e por ali, enfant terrible chorona e agitada como se a ansiedade já me tolhesse os passos de nascença. Dispararam-me de improviso para terras interiores secas e áridas, talvez o calor me acalmasse, o dinheiro também não abundava, desculpas tardias confessadas em gritos patéticos de fúrias atiradas em cuspo, violentas ostracizadas…
Nem nos braços quentes e moídos do meu avô materno encontrava a felicidade eterna. Adormecia a escutar a história da Carochinha que tinha um vintém e queria arranjar namorado à porta da cozinha.
Talvez por isso, criança solitária, egoísta em grupo, me isolava perdida no mundo dos sonhos, escrevinhando arabescos no tampo das carteiras de madeiras, substituídas anos mais tarde por tampos de laminados verdes escarro que me entediavam de morte.
Nem mesmo no dia do meu casamento consegui deixar de ter a cabeça meio difusa. Entreti-me a mirar por socalcos rostos e expressões, lágrimas disfarçadas, monopólios de conversas de quem mal se conhece, tudo muito apressado, paixão súbita e desarmante, ancora que me atirou para a nudez do mundo.
Que sejam felizes, até choveu nesse dia e tudo, e tenham juízo e assim, e eu sempre tive muito, por acomodação, por ser velha de pequena, por está bem não me chateiem que eu quero é sopas e descanso, e para não me tolherem os passos na procura onde pertencia.
Durante uns tempos fui aparentemente feliz. Achava eu que me pertencia que era dona e senhora do meu nariz constantemente à volta, com os sentimentos alheios...
E os meus onde se encaixavam?
No fazes bem, és uma senhora mãe e esposa dedicada, filha mal amada por incompreensão, por mea culpa, para não ter que justificar por A+B o porquê da mágoa.
Sempre ouvi dizer que quanto mais se mexe na merda, mais mal ela cheira.
Uma coisa tenho certo, a energia revigorada quando quente e nua aleitava os meus nados vivos, como se bocados de alma se soltassem livres para prosseguir sem peias, crias amadas geradas por dois, mas queridas por mim apenas.
Mesmo agora com um sorriso escondido, encerrado sobre as pestanas camuflado, me revejo criança altiva, meio despistada, terna à procura de afectos que não nego, porque me fizeram tanta falta… mesmo quando no papel de mestra professora lhe rosno, tirem os dedos do nariz, digam obrigado e faz favor, e vão lá falar à amiga da vossa avó, e não se lastimem em ter um pai descompensado que já é uma sorte ele viver a cento e tal quilómetros.

Como eu entrevejo o passado...errado? Não...vivido e demolhado.
beijos e fique bem


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