Sábado, 5 de Junho de 2004

A Carta do senhor gato preto

Este gato preto
escreve cartas. E tem um blogue muito bonito chamado gato preto
Escreveu uma carta e eu acho que deve ser lida. Quem sabe ela a lê aqui. Carta by gato preto


Olá querida,

Já lá vão alguns meses em que falámos, em que eu me declarei a ti, que te disse que eras o meu sonho. Nessa altura, estava tão nervoso que só parei de tremer uma hora depois. Tu ficaste sem saber o que dizer, mas até nem reagiste mal. Nunca foste muito boa a mostrar emoção, mas acho que ficaste surpreendida...e um bocadinho envaidecida. Acho que só te confirmei uma coisa que tu já sabias, apesar de teres dito que não. Disseste que o problema não era meu, mas que agora querias estar sozinha. Eu, como de costume, deixei o meu coração decidir em vez do cérebro, e fiquei na esperança de "talvez daqui a um tempo...quem sabe...". Quando pensava nisso, eu sabia o que querias dizer. Ou melhor, sabia o que não querias dizer...não me querias magoar, não me querias dizer na cara que nunca iria haver nada entre nós, apesar de ambos o sabermos.

Eu fiquei tão perdido, e todos me diziam "dá-lhe tempo...vais ver que ela reconsidera". E eu acreditei nisso. E antes disso, davamo-nos tão mal. E depois voltámos a falar como os melhores amigos que somos (fomos), e isso deu-me mais esperança. Entre nós...existia química. Não consigo explicar o teor dessa química, mas a verdade é que são poucas as pessoas que mexem comigo como tu mexes, e vice-versa (se é que posso ser um pouco convencido). E outro dia ficaste tão chateada comigo, por eu não ter partilhado contigo um momento tão especial. Eu comecei a achar que tinhamos mesmo algo de especial, mas também soube que me estive sempre a enganar.

Hoje, confirmei uma coisa que já suspeitava. Tens outra pessoa. Disseste que querias estar sozinha, mas afinal só não querias estar comigo. Queria-te odiar por isso mas não consigo. Só consigo por-me de joelhos a teus pés, e dizer-te que vou esperar o tempo que for preciso, porque te adoro mesmo, de uma maneira que nunca adorei ninguém. Talvez a relação que tenhas agora não seja séria.Talvez seja uma coisa passageira, porque sabes bem como eu a dificuldade que tens em mostrar as tuas emoções. Tens medo, e eu acho que por um tempo, fui imune a isso. Não tinhas medo de mim, não tinhas medo de me mostrar o que estavas a sentir. Tu própria o disseste, que o meu maior talento era conseguir-te tirar do sério. :)

Agora vejo-te feliz, sabendo exactamente porque razão é. E fico feliz, por tu estares feliz, apesar de ter muita pena de não ser eu a razão dessa felicidade. Ainda agora, quando escrevo estas palavras, não deixo de pensar no que estarás a fazer, com quem estás... não sei se são ciúmes, mas preferia que fosse comigo. Agora sinto-me enganado e traído, se calhar devia ter insistido mais, se calhar devia-te ter dito logo que te amo, mesmo sabendo que isso te iria assustar e que provavelmente nunca mais falavas comigo. Agora tenho a certeza (como sempre tive) que nunca vais ser mais que uma das minhas melhores amigas. E isso, embora não seja o que eu mais quero, deixa-me algo satisfeito, porque te vejo feliz. E se calhar, com esta história toda não tenho aproveitado a tua amizade como devia ser.
Há uma amiga que me diz que eu sou muito novo, e que me vou apaixonar montes e montes de vezes, mas eu acho que mesmo que isso aconteça, nunca vou conhecer ninguém como tu.

Agora que o nosso tempo de amigos mais chegados vai chegar ao fim, acho que não vais perder muito tempo a esquecer-me, ainda mais agora. Mas talvez seja melhor assim...talvez seja melhor apagar este fogo com uma explosão enorme, e que acabe tudo de vez.
Porque eu não sei mesmo o que fazer para te esquecer...
publicado por floreca às 14:05
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4 comentários:
De atuaLolita a 6 de Junho de 2004 às 16:26
O amor renova-se em nós. Gostarmos de nós é uma forma de abrir a porta aos outros. Um beijo, gato :-)


De gato preto a 6 de Junho de 2004 às 10:25
Bem eu não queria esquecer literalmente...não era apagar da minha memória, era mais deixar de sentir o que sinto, pois sei que é em vão...o que torna tudo um bocado "doloroso". Foi com a ideia de "quem não arrisca não petisca" que falei com ela...fiquei bastante "envergonhado" mas não me arrependi :)

Obrigado pelos simpáticos comentários.


De almar a 5 de Junho de 2004 às 15:50
Eu concordo com a Floreca. As pessoas, sobretudo as que são mesmo importantes na nossa vida,não se esquecem. São um tesouro a que vamos juntando outros. O que talvez aconteça é que a tua dor vá passando e sendo substituida por uma doçura especial quando pensares nessa pessoa. Nessa altura, a ferida estará sarada. Dá tempo ao tempo que, para um lado ou para outro, tudo se resolve. Ah... voltamos sempre a amar outra vez! E nunca é igual. Bjs


De floreca a 5 de Junho de 2004 às 14:36
Esquecer? Não, não esqueças... porque as pessoas que são importantes na nossa vida devem ficar guardadas para sempre! Há pessoas especiais, por isso achamos que nunca voltaremos a amar da mesma forma. Por vezes é verdade, mas podemos manter essas pessoa na nossa vida como amigas... e podemos amar outras, de outras formas... Nem mais, nem menos: apenas de forma diferente. Não receies nunca mostrar o que sentes a alguém. Só perdemos por não lutar pelo que queremos... Felicidades:-)


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