Domingo, 18 de Julho de 2004

Memórias de Chateau d'If

Provocamos os pensamentos

Para imaginar que não sofremos,

Para esquecer o quanto doi o sofrimento de viver,

O quanto magoa,

E a mágoa que é morrer e ver morrer nos outros,

A vida.



É tudo um acaso,

Um possível fortuito,

Um monstruoso engano.

Mais valia o silêncio

Que todo o ruído do meu pensamento

Quando quer, precisa esquecer.



Porém, ainda acredito.

Posso ser um grito.

Uma gargalhada.

O sufoco do ar.

E nada mais que um avultoso acaso.



Ou nada!



Cansa-me a incerteza da ilusão,

A certeza de não saber se é castigo,

Maldição, ou simples desprazer.

Falta-me a onda arrancada,

A ode das causas nobres,

A intrépida vontade,

A certeza categórica da vida e porém...







... Lamento, ah! Como lamento

O nada mais que há para dizer,

E o silêncio que nas trevas se detém!



E o mais além: ruído, tristeza, isolamento,

Tudo o que para os outros alegre é,

Parece conter em mim um certo descontentamento!...





(Para a Lolita, como prometido, deixo algumas memórias sobre a minha solidão, encarcerada em “Chateau d’If". Redigidas em Janeiro de 99, um ano antes deixar o cárcere e soltar as emoções).
publicado por floreca às 00:03
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14 comentários:
De wind a 18 de Julho de 2004 às 01:45
Fly_away não sei se o que escreveste é verdadeiro ou ficção, mas ao ler-te fui ficando séria. Já passei por isso tudo. Agora "desnudo-me" eu (também ninguém me conhece);) Libertei-me em 2002...bjs*


De Lolita a 18 de Julho de 2004 às 01:44
fly_away sabia-me bem ser capaz de responder em poema ao teu incrível texto de memórias. Sabia-me bem dizer palavras intrincadas em metáforas elaboradas. Mas sabia-me muito melhor ter-te dado um abraço esta noite. Vai saber melhor que todos os poemas que ainda não escrevi, ver o teu sorriso.


De Lia a 18 de Julho de 2004 às 01:28
O lado da sombra na composição da luz possível..., mesmo que ela, a luz intensa, se atrase, que demore, mas que tanto buscamos.Bjs


De O poeta triste a 18 de Julho de 2004 às 01:19
"No meu mundo de breu, transporto o negro fado / de toda a luz desejar e nenhuma luz atrair..." O poeta triste "Negro"


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